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quinta-feira, 1 de novembro de 2012


A ditadura do fazer mecânico, domesticado, inerte é  imposta e perpetuada por meio de afirmações, ora sutis, ora explícitas, porém sempre rígidas, contidas nos ângulos retos dos prédios, na solidez metálica das máquinas, nos números imutáveis percorridos pelos ponteiros, nas palavras velhas e gastas, ouvidas e faladas repetidas todos os dias nos vagões, nas ruas, nos estabelecimentos, nos lares.

É chegado o tempo de contra-atacarmos, de destruir os falsos consensos acerca da realidade, forjados sob a luz de uma cultura excludente e violenta.
Até  ontem aceitamos os Nãos que nos foram impostos, afirmamos as vontades do chicote domesticador e negamos o que queríamos, legitimamos as regras para nos anular. Porém, hoje estamos aqui para negar o Não que nos dizem todos os dias (por meio das arquiteturas, dos horários fixos, das relações institucionalizadas), para abrir possibilidades e trazer à superfície a infinidade de matizes que esteve oculta sob essa insistente camada de ordens que tornou a vida insossa e sem cores.

terça-feira, 30 de outubro de 2012


A vocês, mantenedores da ordem e da paz social.
A vocês, adoradores das normas e da “boa conduta”.
A vocês, frígidos amantes da segurança e da estabilidade.

Não mais aceitaremos as verdades que vocês fabricaram e nos enfiaram mucosas a dentro.
Não mais aceitaremos suas desculpas para cada massacre, seja ele estrondoso e fulminante ou lento e sufocante que vocês organizam e realizam visando manter a ordem da sociedade.
Não nos contentam suas promessas de felicidade sustentadas em máquinas, autômatos, variedades de plásticos, açúcares, cosméticos, finais felizes, aspirinas, antidepressivos e outras anestesias.
Não nos excitam seus modelos frios e fórmulas mecânicas de prazer.
Não mais aceitaremos seus padrões de gênero e normalidades sexuais.

Atacamos, com nossas ações negativas e abrimos possibilidades para criarmos muito mais do que suas afirmações limitadas e mediocrizantes um dia permitiram criar.
Somos um (anti)movimento de uma, duas, dez ou dez milhões de pessoas sem fé nos modelos de humanidade, de futuro, de conhecimento, de educação, de saúde, de beleza, de felicidade, de produção e de consumo que vêm sendo afirmados pelas culturas dominantes ao longo da história.

Acreditamos no potencial criativo da negação e evocamos o caos, o indefinido, o desconhecido e o inusitado para tocar a música a qual dançarão as profundas transformações necessárias a cada pessoa.